Câncer Genitourinário

Oncologista


O que é?

Quando se fala em câncer urológico, muita gente pensa apenas no câncer de próstata e imagina que esse grupo de doenças afeta somente homens. Na realidade, os cânceres geniturinários, também chamados de tumores urológicos ou cânceres do trato geniturinário, reúnem tumores que acometem tanto o sistema urinário (rins, pelve renal, ureteres e bexiga), presente em homens e mulheres, quanto o sistema reprodutor masculino (próstata, testículos e pênis).


Cada um desses tumores tem características próprias. O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens no Brasil, desconsiderando os tumores de pele, e muitas vezes tem evolução lenta. Já o câncer de testículo é mais comum em homens jovens, entre 15 e 35 anos, e apresenta altas taxas de cura quando tratado adequadamente. O câncer de bexiga está fortemente associado ao tabagismo, enquanto o câncer de rim é, com frequência, descoberto por acaso em exames de imagem feitos por outros motivos. Essas diferenças de comportamento, diagnóstico e tratamento tornam a avaliação individualizada indispensável.


Essa diversidade pede um cuidado que enxergue cada tumor, e cada pessoa, de forma específica. Sou a Dra. Fernanda Guasti, oncologista clínica com residência pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), e acompanho pacientes com tumores geniturinários em todas as fases da doença, em parceria próxima com o urologista e a equipe de radioterapia. Cada decisão é baseada em evidências científicas e leva em conta aspectos que costumam pesar muito para esses pacientes, como a função urinária, a vida sexual e a fertilidade.

Sintomas

Os sinais dos cânceres geniturinários variam conforme o órgão acometido, e muitos deles são parecidos com os de condições benignas, como infecção urinária, cálculo renal ou hiperplasia prostática benigna (aumento benigno da próstata). Por isso, sintomas persistentes ou recorrentes devem sempre ser investigados, mesmo quando parecem simples.


Entre as manifestações que merecem atenção, estão:

  • Sangue na urina (hematúria), visível ou detectado em exame, mesmo que apareça uma única vez e sem dor
  • Dificuldade para urinar, jato fraco, ardência ou sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
  • Aumento da frequência urinária, especialmente à noite
  • Dor lombar ou abdominal persistente, ou massa palpável na região do abdome
  • Nódulo, endurecimento ou aumento de volume em um dos testículos, geralmente indolor
  • Feridas, verrugas ou alterações persistentes no pênis, que não cicatrizam
  • Perda de peso sem causa aparente, cansaço e dor óssea, em casos mais avançados


Em muitos casos, especialmente nas fases iniciais, esses tumores não causam sintomas. No câncer de próstata, a conversa sobre rastreamento com PSA e exame de toque retal costuma ser recomendada a partir dos 50 anos, ou dos 45 anos para homens com histórico familiar da doença ou outros fatores de risco. O tabagismo é o principal fator de risco evitável para os cânceres de bexiga e rim, e a infecção pelo HPV e a má higiene local estão entre as causas associadas ao câncer de pênis.


A investigação pode incluir exames laboratoriais, dosagem de PSA, marcadores tumorais (como alfafetoproteína, beta-hCG e LDH no câncer de testículo), ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética multiparamétrica da próstata, cistoscopia e, em situações selecionadas, o PET-CT com PSMA. A biópsia confirma o diagnóstico na maioria dos casos. Em seguida, a definição do estadiamento e, quando indicado, de testes genéticos e moleculares, como a pesquisa de mutações em BRCA1 e BRCA2 no câncer de próstata, ajuda a orientar o planejamento terapêutico.

Diagnóstico

Dentro dos tumores geniturinários, as estratégias de tratamento são muito diferentes entre si. Um câncer de próstata de baixo risco pode ser apenas monitorado, enquanto um tumor de bexiga invasivo costuma exigir a combinação de várias modalidades. A conduta depende do órgão acometido, do tipo de tumor, do estágio, das características biológicas e também das prioridades de cada paciente, e é definida em conjunto com o urologista e a equipe de radioterapia.


Vigilância ativa:

Em alguns casos de câncer de próstata de baixo risco, a melhor opção pode ser o acompanhamento rigoroso com exames periódicos, sem tratamento imediato, evitando efeitos colaterais desnecessários enquanto a doença permanece estável.


Tratamento cirúrgico:

A cirurgia tem como objetivo remover o tumor e, quando necessário, estruturas próximas envolvidas pela doença. Entre os procedimentos mais comuns estão a prostatectomia radical, a nefrectomia parcial ou radical (retirada de parte ou de todo o rim), a ressecção transuretral de bexiga (RTU), a cistectomia e a orquiectomia. Muitas dessas cirurgias podem ser feitas por via robótica ou videolaparoscópica, com recuperação mais rápida.


Tratamento sistêmico:

Reúne as terapias que atuam em todo o organismo e que são conduzidas diretamente pelo oncologista clínico. As principais são:

  • Hormonioterapia, base do tratamento do câncer de próstata avançado, com bloqueio hormonal e os antiandrogênicos de nova geração
  • Quimioterapia, com papel importante nos cânceres de bexiga, testículo e próstata
  • Imunoterapia, com resultados expressivos nos cânceres de rim e de bexiga
  • Terapia-alvo, como os inibidores de tirosina-quinase no câncer de rim e os inibidores de PARP em tumores de próstata com mutações específicas
  • Anticorpos conjugados a drogas, que levam a quimioterapia diretamente à célula tumoral, especialmente no câncer urotelial
  • Radiofármacos, como as terapias com PSMA marcado, em casos selecionados de câncer de próstata metastático


Radioterapia:

Pode ser o tratamento principal em alguns casos de câncer de próstata, muitas vezes associada à hormonioterapia, ou fazer parte de estratégias de preservação da bexiga, combinada à quimioterapia. Também é usada para controlar sintomas, como a dor causada por metástases ósseas.

Antes de iniciar tratamentos que possam afetar a fertilidade, especialmente em homens jovens com câncer de testículo, é importante discutir o congelamento de sêmen, uma medida simples que preserva a possibilidade de ter filhos no futuro.

Como é o atendimento?

Muitos pacientes com tumores geniturinários chegam à consulta com receios que nem sempre se sentem à vontade para dizer em voz alta, como o medo de perder a ereção, de ficar com incontinência urinária ou de não poder ter filhos. Esses temas fazem parte do tratamento e têm espaço garantido na conversa, porque influenciam diretamente a escolha entre as opções disponíveis.


A consulta costuma seguir estas etapas:

  • Escuta da história clínica, incluindo sintomas urinários, função sexual, tabagismo, doenças prévias e histórico familiar de câncer
  • Revisão dos exames já realizados, como PSA, exames de imagem, cistoscopia e laudo da biópsia
  • Definição do estadiamento e da classificação de risco, com solicitação de exames complementares quando necessário
  • Avaliação da indicação de testes genéticos e moleculares
  • Explicação das opções de tratamento, com seus benefícios, efeitos colaterais e impacto na qualidade de vida
  • Construção conjunta do plano terapêutico, alinhado às prioridades e ao momento de vida de cada paciente


Nos casos que envolvem cirurgia ou radioterapia, o planejamento é feito em sintonia com o urologista e o radio-oncologista, para que cada etapa aconteça na ordem certa e sem atrasos. Esse trabalho em equipe é especialmente importante nos tumores de bexiga e de próstata, em que as decisões costumam combinar mais de uma modalidade.


Durante e após o tratamento, o acompanhamento inclui consultas regulares para avaliar a resposta, manejar efeitos colaterais, como fogachos e perda de massa óssea na hormonioterapia, e realizar o seguimento oncológico com exames de controle e dosagem periódica de marcadores, como o PSA. Para a primeira avaliação, levar todos os exames, laudos e a lista de medicamentos em uso ajuda a construir uma visão completa do caso desde o início.

Sobre a profissional

Dra. Fernanda Guasti

Oncologista | CRM-SP: 193953 | RQR: 110206



Sou a Dra. Fernanda Guasti, médica oncologista, e acredito que cuidar de uma pessoa vai além de tratar a doença. Cada paciente tem sua própria história, dúvidas, necessidades e expectativas, e é a partir dessa individualidade que conduzo o cuidado, com atenção, respeito e responsabilidade.

 

Sou formada em Medicina pela PUC Paraná, com residência em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Atualmente, sou Coordenadora do Serviço de Oncologia do Hospital Paulistano, mestranda em Ciências da Saúde pela FMABC e pós-graduanda em Nutrologia Oncológica pela ABRAN.

 

Também mantenho um olhar integral para a saúde, considerando aspectos que podem contribuir para a qualidade de vida e o bem-estar durante e após o tratamento. Meu compromisso é oferecer um cuidado sério, individualizado e humano, para que você se sinta seguro e acolhido em cada fase dessa jornada.