Oncologista
O que é?
O sistema digestivo é um longo caminho que começa na boca e termina no ânus, passando por órgãos com funções muito diferentes entre si. Os cânceres gastrointestinais, também chamados de tumores do aparelho digestivo, podem surgir em qualquer ponto desse trajeto, como esôfago, estômago, intestino delgado, cólon e reto, ânus, fígado, vias biliares e pâncreas. Em conjunto, estão entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, com destaque para o câncer colorretal (de intestino), que figura entre os mais diagnosticados em homens e mulheres.
Embora sejam agrupados sob o mesmo nome, esses tumores têm comportamentos, fatores de risco, formas de diagnóstico e possibilidades de tratamento bastante distintos. Um adenocarcinoma de estômago não é tratado da mesma forma que um carcinoma hepatocelular (câncer de fígado) ou um câncer de pâncreas, e mesmo dentro de um único órgão existem subtipos diferentes, como os tumores neuroendócrinos e os GIST (tumores estromais gastrointestinais). Compreender essas particularidades é o primeiro passo para definir a conduta adequada.
Na coordenação do Serviço de Oncologia do Hospital Paulistano, em São Paulo, os tumores do aparelho digestivo fazem parte da minha rotina diária. Sou a Dra. Fernanda Guasti, oncologista clínica, e acompanho esses pacientes de forma individualizada, com decisões baseadas em evidências científicas, orientação clara sobre cada etapa e um cuidado próximo que considera também a alimentação, o peso e o bem-estar, aspectos especialmente sensíveis quando a doença atinge o sistema digestivo.
Sintomas
Os sinais dos cânceres gastrointestinais variam conforme o órgão acometido e o estágio da doença, e muitas vezes são confundidos com problemas digestivos comuns, como gastrite, hemorroidas ou intestino irritável. Essa semelhança faz com que muitos pacientes demorem a procurar avaliação, o que reforça a importância de não ignorar sintomas persistentes.
Entre as manifestações que merecem investigação, estão:
- Dor ou desconforto abdominal persistente ou que piora com o tempo
- Alteração do hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre sem explicação, ou fezes mais finas que o habitual
- Sangue nas fezes ou fezes escurecidas, com aspecto de "borra de café"
- Dificuldade ou dor para engolir (disfagia), sensação de alimento parado no peito
- Náuseas ou vômitos persistentes, sensação de estômago cheio com pouca comida (saciedade precoce)
- Perda de peso sem causa aparente e falta de apetite
- Pele ou olhos amarelados (icterícia), urina escura e coceira no corpo
- Anemia sem causa definida, com cansaço e palidez
Alguns fatores aumentam o risco desses tumores, como tabagismo, consumo de álcool, obesidade, dieta rica em carnes processadas, infecção pela bactéria H. pylori (no caso do estômago), hepatites B e C e cirrose (no fígado), doenças inflamatórias intestinais e síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch. Nas fases iniciais, muitos casos não causam sintomas, e por isso o rastreamento do câncer colorretal com colonoscopia é recomendado a partir dos 45 anos, ou antes em pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco.
A confirmação diagnóstica pode envolver exames laboratoriais, endoscopia digestiva alta, colonoscopia e exames de imagem como tomografia e ressonância magnética, além do PET-CT em situações selecionadas. Diante de uma lesão suspeita, a biópsia identifica o tipo de tumor. Em seguida, testes moleculares e biomarcadores, como instabilidade de microssatélites (MSI), mutações nos genes KRAS, NRAS e BRAF e a expressão de HER2, ajudam a definir quais tratamentos têm maior chance de funcionar em cada caso.
Diagnóstico
Como cada órgão do sistema digestivo tem sua própria biologia, não existe um tratamento único para os cânceres gastrointestinais. A estratégia depende da localização, do tipo de tumor, do estágio da doença, dos biomarcadores identificados e das condições clínicas do paciente, e costuma ser discutida em conjunto com cirurgiões do aparelho digestivo, radioterapeutas, gastroenterologistas e radiologistas intervencionistas.
Tratamento cirúrgico:
A cirurgia tem como objetivo retirar o tumor e, em muitos casos, é a base do tratamento com intenção curativa. A extensão do procedimento varia de acordo com o órgão acometido, podendo envolver a retirada de parte do estômago (gastrectomia), do intestino (colectomia), do pâncreas ou do fígado, além dos linfonodos da região. Hoje, muitas dessas cirurgias podem ser feitas por técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica.
Tratamento sistêmico:
Reúne as terapias que atuam em todo o organismo e que são conduzidas diretamente pelo oncologista clínico. As principais são:
- Quimioterapia, isolada ou combinada a outras modalidades
- Terapia-alvo, direcionada a alterações específicas do tumor, como anti-EGFR, anti-HER2 e antiangiogênicos
- Imunoterapia, com resultados importantes em tumores com instabilidade de microssatélites e em alguns casos de câncer de esôfago, estômago e fígado
- Outros tratamentos medicamentosos, como os análogos de somatostatina nos tumores neuroendócrinos
Essas terapias podem ser usadas antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante ou perioperatório), para reduzir o tumor e aumentar as chances de ressecção completa, depois dela (tratamento adjuvante), para diminuir o risco de recidiva, ou como tratamento principal na doença avançada ou metastática, com foco no controle da doença e na qualidade de vida.
Radioterapia:
Tem papel importante em alguns tumores específicos, como os de reto, esôfago e canal anal, muitas vezes combinada à quimioterapia (quimiorradioterapia). No câncer de canal anal, por exemplo, essa combinação costuma ser o tratamento principal, permitindo preservar o esfíncter e evitar a cirurgia na maioria dos casos.
Em tumores de fígado e em metástases hepáticas, também podem ser indicados tratamentos locais, como ablação por radiofrequência e quimioembolização. Ao longo de todas essas etapas, o suporte nutricional merece atenção especial, já que a perda de peso e a dificuldade para se alimentar são muito frequentes em pacientes com tumores do aparelho digestivo e interferem diretamente na tolerância ao tratamento.
Como é o atendimento?
Quem chega com um diagnóstico de câncer gastrointestinal costuma trazer, além dos exames, muitas dúvidas práticas: se vai precisar de cirurgia, se a alimentação vai mudar, se haverá necessidade de bolsa de colostomia, quanto tempo o tratamento vai durar. A primeira consulta é o momento de reunir todas essas informações e transformá-las em um plano claro.
O atendimento costuma seguir estas etapas:
- Escuta detalhada da história clínica, incluindo sintomas, hábitos alimentares, peso, doenças prévias e histórico familiar de câncer
- Revisão dos exames de endoscopia, colonoscopia, imagem e do laudo da biópsia
- Definição do estadiamento, com solicitação de exames complementares quando necessário
- Solicitação de testes moleculares, quando indicados, para orientar a escolha das terapias
- Avaliação do estado nutricional, com orientações para preservar peso e massa muscular
- Indicação de aconselhamento genético, nos casos com suspeita de síndrome hereditária
- Apresentação das opções de tratamento e construção conjunta do plano terapêutico
Sempre que necessário, o caso é discutido com a equipe multidisciplinar para que cirurgia, tratamento sistêmico e radioterapia aconteçam na sequência mais adequada. Essa coordenação evita atrasos e garante que cada decisão considere o quadro como um todo.
Durante e após o tratamento, as consultas de acompanhamento permitem avaliar a resposta, controlar efeitos colaterais como diarreia, náuseas e neuropatia, e realizar o seguimento oncológico com exames periódicos e marcadores como o CEA e o CA 19-9, quando indicados. Para a primeira avaliação, levar todos os exames, laudos e a lista de medicamentos em uso torna a consulta mais completa e ajuda a definir os próximos passos com mais agilidade.
Sobre a profissional
Dra. Fernanda Guasti
Oncologista | CRM-SP: 193953 | RQR: 110206
Sou a Dra. Fernanda Guasti, médica oncologista, e acredito que cuidar de uma pessoa vai além de tratar a doença. Cada paciente tem sua própria história, dúvidas, necessidades e expectativas, e é a partir dessa individualidade que conduzo o cuidado, com atenção, respeito e responsabilidade.
Sou formada em Medicina pela PUC Paraná, com residência em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Atualmente, sou Coordenadora do Serviço de Oncologia do Hospital Paulistano, mestranda em Ciências da Saúde pela FMABC e pós-graduanda em Nutrologia Oncológica pela ABRAN.
Também mantenho um olhar integral para a saúde, considerando aspectos que podem contribuir para a qualidade de vida e o bem-estar durante e após o tratamento. Meu compromisso é oferecer um cuidado sério, individualizado e humano, para que você se sinta seguro e acolhido em cada fase dessa jornada.

