Oncologista
O que é?
Perder peso sem querer, sentir o gosto dos alimentos alterado, comer menos por causa das náuseas ou perceber que as forças diminuíram são queixas muito comuns de quem está em tratamento contra o câncer. Longe de serem detalhes, essas mudanças podem interferir diretamente na resposta ao tratamento. Estudos mostram que a desnutrição atinge uma parcela expressiva dos pacientes oncológicos e está associada a mais efeitos colaterais, mais interrupções na terapia, internações mais longas e pior qualidade de vida.
A Nutrologia Oncológica é a área que integra o cuidado nutricional ao tratamento do câncer, com foco na preservação do estado nutricional, da massa muscular e da composição corporal ao longo de toda a jornada. Ela atua na prevenção e no manejo de condições como a sarcopenia (perda de massa e força muscular) e a caquexia do câncer, uma síndrome em que o próprio tumor provoca perda de peso e de músculo, mesmo quando a pessoa tenta se alimentar normalmente.
Acompanhar pacientes que chegavam enfraquecidos a etapas importantes do tratamento foi o que me mostrou o peso da nutrição dentro da oncologia. Me chamo Fernanda Guasti, sou oncologista clínica e, por isso, busquei a pós-graduação em Nutrologia Oncológica pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Hoje, incorporo esse olhar à condução do tratamento, avaliando as necessidades de cada paciente com base em evidências científicas e de forma integrada às decisões terapêuticas, para que corpo e tratamento caminhem juntos.
Indicações
O cuidado nutricional não precisa esperar que o peso caia ou que os sintomas se agravem. A avaliação pode ser feita antes, durante ou depois do tratamento, e quanto mais cedo começa, maiores as chances de preservar a força e a funcionalidade nas fases mais intensas da terapia.
O acompanhamento é especialmente indicado nas seguintes situações:
- Perda de peso sem intenção, mesmo que pareça pequena, ou roupas que ficaram largas
- Redução do apetite ou sensação de saciedade rápida
- Dificuldade para se alimentar, por náuseas, vômitos, feridas na boca (mucosite), boca seca ou dificuldade para engolir
- Alterações no paladar e no olfato, que tornam a comida sem gosto ou desagradável
- Diarreia ou prisão de ventre relacionadas ao tratamento
- Perda de massa muscular, cansaço excessivo e diminuição da força
- Ganho de peso durante o tratamento, comum em algumas terapias hormonais e com o uso de corticoides
- Dúvidas sobre alimentação e suplementação, incluindo dietas, chás e produtos naturais
Pacientes com tumores do aparelho digestivo, de cabeça e pescoço e de pulmão costumam ter risco nutricional mais elevado e se beneficiam de atenção desde o diagnóstico. Também é comum que quem já terminou o tratamento procure orientação para recuperar o peso, a massa muscular e a disposição.
Outro ponto que merece cuidado são as informações sem base científica. Mitos como "o açúcar alimenta o câncer", jejuns prolongados ou dietas muito restritivas podem levar à perda de peso e de músculo justamente quando o organismo mais precisa de energia. Além disso, alguns suplementos, fitoterápicos e chás podem interagir com a quimioterapia e outros medicamentos, e por isso nunca devem ser iniciados sem avaliação médica.
Resultados e Benefícios
Integrar a nutrição ao planejamento oncológico permite identificar alterações ainda no início, antes que comprometam o tratamento. Em vez de reagir à desnutrição quando ela já está instalada, o acompanhamento atua de forma preventiva e contínua, ajustando as condutas a cada fase da jornada.
Entre os principais benefícios, estão:
- Maior tolerância ao tratamento, com menos necessidade de reduzir doses ou adiar ciclos
- Preservação da massa muscular e da força, fundamentais para a autonomia e a recuperação
- Melhor controle de sintomas que dificultam a alimentação, como náuseas, mucosite e alterações intestinais
- Recuperação mais rápida após cirurgias, com melhor cicatrização e menor risco de complicações
- Mais disposição e qualidade de vida durante e após o tratamento
- Orientação segura sobre suplementação, indicada apenas quando há critério técnico
As estratégias são definidas de acordo com a necessidade de cada paciente e podem incluir ajustes na alimentação, aumento da oferta de proteínas e calorias, terapia nutricional oral com suplementos específicos e, em casos selecionados, nutrição enteral (por sonda) ou parenteral (pela veia). A atividade física orientada, especialmente o exercício de força, também tem papel importante na manutenção da massa muscular e costuma fazer parte das recomendações.
Depois do tratamento, o foco se amplia. Manter o peso adequado, uma alimentação equilibrada e um estilo de vida ativo está associado a melhor saúde global nos sobreviventes de câncer e, em alguns tumores, à redução do risco de recidiva.
Como é o atendimento?
A consulta em Nutrologia Oncológica acontece em sintonia com o tratamento do câncer, e não de forma paralela a ele. Isso significa que cada orientação considera o tipo de tumor, a fase do tratamento, os medicamentos em uso e os efeitos colaterais esperados, para que a estratégia nutricional apoie a terapia em vez de competir com ela.
A avaliação costuma incluir:
- História clínica e oncológica, com diagnóstico, tratamentos realizados e programados
- Levantamento dos hábitos alimentares e dos sintomas que interferem na alimentação
- Histórico de peso, com atenção à velocidade e à intensidade de qualquer perda
- Avaliação da composição corporal, que pode incluir bioimpedância, medidas antropométricas e análise da massa muscular em exames de imagem já realizados
- Teste de força, como a dinamometria (força de preensão das mãos), para avaliar a funcionalidade muscular
- Análise de exames laboratoriais e revisão de suplementos, chás e produtos naturais em uso
- Definição de um plano individualizado, com metas de alimentação, suplementação quando indicada e orientação sobre atividade física
Sempre que necessário, o plano é construído em conjunto com nutricionistas e outros profissionais da equipe, para que as orientações sejam práticas e possíveis de seguir no dia a dia. As reavaliações acontecem ao longo do tratamento, permitindo ajustar as condutas conforme os sintomas mudam e as fases avançam. Para a primeira consulta, levar os exames recentes, a lista de medicamentos e suplementos em uso e, se possível, um registro do peso nos últimos meses torna a avaliação mais completa desde o início.
Sobre o profissional
Dra. Fernanda Guasti
Oncologista | CRM-SP: 193953 | RQE: 110206
Sou a Dra. Fernanda Guasti, médica oncologista, e acredito que cuidar de uma pessoa vai além de tratar a doença. Cada paciente tem sua própria história, dúvidas, necessidades e expectativas, e é a partir dessa individualidade que conduzo o cuidado, com atenção, respeito e responsabilidade.
Sou formada em Medicina pela PUC Paraná, com residência em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Atualmente, sou Coordenadora do Serviço de Oncologia do Hospital Paulistano, mestranda em Ciências da Saúde pela FMABC e pós-graduanda em Nutrologia Oncológica pela ABRAN.
Também mantenho um olhar integral para a saúde, considerando aspectos que podem contribuir para a qualidade de vida e o bem-estar durante e após o tratamento. Meu compromisso é oferecer um cuidado sério, individualizado e humano, para que você se sinta seguro e acolhido em cada fase dessa jornada.

