Câncer de Mama
Oncologista
O que é?
O câncer de mama é o tipo de câncer mais diagnosticado entre as mulheres no Brasil e no mundo, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são mais de 70 mil novos casos por ano no país. A doença surge quando células do tecido mamário, geralmente dos ductos (canais que conduzem o leite) ou dos lóbulos (glândulas que o produzem), passam a se multiplicar de forma desordenada e formam um tumor maligno, com capacidade de invadir tecidos vizinhos e, em alguns casos, se espalhar para outras partes do corpo.
Apesar de ser tratado popularmente como uma única doença, o câncer de mama reúne tipos bastante diferentes entre si. Existem os carcinomas in situ, ainda restritos ao local de origem, e os carcinomas invasivos, como o ductal e o lobular. Além disso, cada tumor tem um subtipo molecular próprio (luminal A, luminal B, HER2-positivo ou triplo-negativo), que influencia o comportamento da doença e a resposta a cada tratamento. Embora seja muito mais comum em mulheres, ele também pode ocorrer em homens, ainda que de forma rara.
Entender essas diferenças é o ponto de partida de todo o cuidado que conduzo no consultório. Sou Fernanda Guasti, oncologista clínica formada pela PUC Paraná e com residência pela FMABC, e o câncer de mama ocupa um lugar central na minha prática. Cada caso é planejado a partir das características do tumor e das necessidades de cada paciente, com avaliação criteriosa, orientação clara e condutas fundamentadas em evidências científicas, sem perder de vista o acolhimento e a qualidade de vida ao longo do tratamento.
Sintomas
Nas fases iniciais, o câncer de mama muitas vezes não causa nenhum sintoma, e é justamente por isso que o rastreamento tem papel tão importante. A mamografia é o principal exame para detectar alterações antes que se tornem palpáveis, e as sociedades médicas brasileiras recomendam sua realização anual a partir dos 40 anos. Mulheres com risco aumentado, por histórico familiar ou alterações genéticas como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo e com exames complementares.
Quando há manifestações, os sinais mais comuns incluem:
- Nódulo na mama ou na axila, geralmente endurecido e indolor
- Mudança no tamanho ou no formato de uma das mamas
- Retração do mamilo ou alteração em sua posição
- Alterações na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto de "casca de laranja"
- Saída espontânea de secreção pelo mamilo, principalmente transparente ou com sangue
- Ferida ou descamação persistente na região do mamilo
Nenhum desses sinais significa, por si só, que existe câncer, já que muitas alterações mamárias são benignas, como cistos e fibroadenomas. Ainda assim, qualquer mudança percebida deve ser investigada com avaliação médica, sem esperar que desapareça sozinha.
A investigação pode envolver exame clínico e exames de imagem, como mamografia, ultrassonografia e, em situações específicas, ressonância magnética das mamas. Diante de uma alteração suspeita, a biópsia é o exame que confirma o diagnóstico e identifica o tipo de tumor. Com esse resultado em mãos, analiso características fundamentais para o planejamento, como os receptores hormonais (estrogênio e progesterona), o HER2, o índice de proliferação Ki-67 e a extensão da doença, definida pelo estadiamento. São essas informações que orientam qual caminho terapêutico faz mais sentido para cada caso.
Diagnóstico
O tratamento do câncer de mama evoluiu muito nas últimas décadas e hoje é definido de forma cada vez mais personalizada, de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e suas características biológicas. Na maioria dos casos, a estratégia combina mais de uma modalidade, planejadas em sequência e discutidas em conjunto com mastologistas, radioterapeutas e demais profissionais da equipe.
Tratamento cirúrgico:
A cirurgia pode ser indicada para retirada do tumor com preservação da mama (cirurgia conservadora, também chamada de quadrantectomia ou setorectomia) ou para remoção mais ampla, a mastectomia, quando necessário. A avaliação das axilas, muitas vezes feita pela técnica do linfonodo sentinela, também pode fazer parte do procedimento. Em muitos casos, a reconstrução mamária pode ser planejada já no momento da cirurgia.
Tratamento sistêmico:
Reúne as terapias que atuam em todo o organismo e é a área de atuação direta do oncologista clínico. As principais modalidades são:
- Quimioterapia, indicada conforme o subtipo e o risco de recorrência
- Hormonioterapia, para tumores com receptores hormonais positivos, geralmente mantida por alguns anos
- Terapia-alvo anti-HER2, para tumores HER2-positivos
- Imunoterapia, em situações específicas, como alguns casos de tumor triplo-negativo
Essas terapias podem ser feitas antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante), para reduzir o tumor e avaliar a resposta, ou depois dela (tratamento adjuvante), para diminuir o risco de a doença voltar. Na doença metastática, o objetivo passa a ser controlar o câncer pelo maior tempo possível, preservando a qualidade de vida.
Radioterapia:
Pode ser recomendada para complementar o tratamento local, principalmente após a cirurgia conservadora, ajudando a reduzir o risco de retorno da doença na mama ou em áreas próximas.
Em mulheres em idade reprodutiva, também é importante conversar, antes de iniciar a quimioterapia, sobre preservação da fertilidade, já que alguns tratamentos podem afetar a função ovariana. Esse é um dos pontos que costumo abordar logo no início do planejamento.
Como é o atendimento?
Muitas pacientes chegam à primeira consulta ainda assustadas com o resultado da biópsia e com a sensação de que precisam decidir tudo de uma vez. Por isso, o primeiro objetivo do atendimento é organizar as informações e mostrar, com calma, o que o diagnóstico realmente significa em cada caso.
A consulta costuma seguir estas etapas:
- Escuta da história clínica, incluindo sintomas, idade, momento de vida, histórico familiar de câncer e condições de saúde associadas
- Revisão dos exames de imagem e do laudo da biópsia, com atenção ao subtipo molecular, aos receptores hormonais, ao HER2 e ao Ki-67
- Definição do estadiamento, com solicitação de exames complementares quando necessário
- Avaliação da indicação de teste genético, nos casos em que há suspeita de câncer hereditário
- Explicação das opções de tratamento, com seus objetivos, duração e possíveis efeitos colaterais
- Construção conjunta do plano terapêutico, alinhado às características da doença e às prioridades da paciente
Questões como queda de cabelo, alterações no peso, fertilidade, vida sexual e retorno ao trabalho também têm espaço na conversa, porque fazem parte da realidade de quem passa pelo tratamento. Quando trazidas cedo, essas dúvidas podem ser planejadas em vez de surpreender no meio do caminho.
Ao longo do tratamento e depois dele, o acompanhamento continua com consultas regulares para avaliar a resposta, manejar efeitos colaterais e realizar o seguimento oncológico, que inclui exames de controle periódicos. Se você recebeu um diagnóstico recente, está em tratamento ou busca uma segunda opinião sobre câncer de mama, trazer todos os exames e laudos já realizados torna essa primeira avaliação mais completa e produtiva.
Sobre a profissional
Dra. Fernanda Guasti
Oncologista | CRM-SP: 193953 | RQR: 110206
Sou a Dra. Fernanda Guasti, médica oncologista, e acredito que cuidar de uma pessoa vai além de tratar a doença. Cada paciente tem sua própria história, dúvidas, necessidades e expectativas, e é a partir dessa individualidade que conduzo o cuidado, com atenção, respeito e responsabilidade.
Sou formada em Medicina pela PUC Paraná, com residência em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Atualmente, sou Coordenadora do Serviço de Oncologia do Hospital Paulistano, mestranda em Ciências da Saúde pela FMABC e pós-graduanda em Nutrologia Oncológica pela ABRAN.
Também mantenho um olhar integral para a saúde, considerando aspectos que podem contribuir para a qualidade de vida e o bem-estar durante e após o tratamento. Meu compromisso é oferecer um cuidado sério, individualizado e humano, para que você se sinta seguro e acolhido em cada fase dessa jornada.

