Prevenção e Rastreamento do Câncer

Oncologista


O que é?

Muitas pessoas associam o oncologista apenas ao tratamento de quem já recebeu um diagnóstico de câncer. Mas o cuidado oncológico também pode começar muito antes disso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 30% e 50% dos casos de câncer poderiam ser evitados com o controle de fatores de risco conhecidos e com estratégias de detecção precoce, o que mostra o quanto a prevenção do câncer pode fazer diferença na saúde ao longo da vida.


A consulta de prevenção do câncer, também chamada de avaliação de risco oncológico ou check-up oncológico, é voltada à análise individual dos fatores que podem aumentar a chance de desenvolver a doença: histórico pessoal e familiar, idade, hábitos de vida, exposições ambientais e condições de saúde. A partir dessa avaliação, é possível definir medidas de prevenção primária, que reduzem o risco de o câncer surgir, e de prevenção secundária, com o rastreamento adequado para identificar alterações em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores.


Boa parte desses fatores está ligada a hábitos do dia a dia, como alimentação, peso corporal e atividade física, tema que acompanho de perto na pós-graduação em Nutrologia Oncológica pela ABRAN. Na consulta de prevenção, uno essa visão à avaliação oncológica para transformar o risco individual em um plano de cuidado concreto, baseado em evidências científicas e adaptado ao momento de vida de cada pessoa. Sou a Dra. Fernanda Guasti, oncologista clínica, e é nesse cuidado feito antes de qualquer diagnóstico que muitas vezes está a maior oportunidade de proteger a saúde.

Indicações

Não é preciso ter sintomas ou suspeita de câncer para procurar um oncologista. A consulta preventiva é indicada para quem deseja entender melhor o próprio risco, saber quais exames realmente fazem sentido para o seu perfil e receber orientações seguras, em meio a tantas informações contraditórias sobre o tema.


A avaliação é especialmente recomendada nas seguintes situações:

  • Histórico familiar de câncer, principalmente quando há vários parentes afetados, diagnósticos antes dos 50 anos ou o mesmo tipo de tumor em diferentes gerações
  • Casos na família de câncer de ovário, câncer de mama em homens ou tumores bilaterais, que podem sugerir uma síndrome hereditária
  • Mutação genética já identificada em algum familiar, como nos genes BRCA1, BRCA2 ou associados à síndrome de Lynch
  • Tabagismo atual ou passado, consumo frequente de álcool ou exposição ocupacional a substâncias de risco
  • Obesidade, sedentarismo ou outras condições que aumentam o risco de alguns tumores
  • Dúvidas sobre rastreamento: quais exames fazer, a partir de que idade e com qual frequência
  • Pessoas que já tiveram câncer e desejam orientação sobre prevenção de um segundo tumor


Vale lembrar que a maioria dos cânceres não é hereditária: estima-se que apenas 5% a 10% dos casos estejam ligados a alterações genéticas herdadas. Mesmo assim, identificar essas famílias é fundamental, porque pessoas com predisposição genética podem se beneficiar de rastreamento mais precoce, exames diferentes dos habituais e, em alguns casos, medidas de redução de risco. Quando há critérios, a consulta inclui a indicação de aconselhamento e teste genético.


Nos demais casos, a avaliação considera hábitos, condições de saúde e exames anteriores para definir um plano proporcional ao risco real de cada pessoa, sem exageros e sem lacunas.

Resultados e Benefícios

Um dos maiores benefícios da prevenção oncológica é substituir recomendações genéricas por um cuidado ajustado ao perfil de cada pessoa. Duas pessoas da mesma idade podem ter riscos muito diferentes, e isso muda quais exames são indicados, quando começar e com que frequência repetir.


Entre os principais pontos trabalhados na consulta, estão:

  • Orientação sobre hábitos de vida com impacto comprovado na redução do risco, como parar de fumar, moderar o álcool, manter o peso adequado, praticar atividade física e ter uma alimentação rica em fibras e pobre em ultraprocessados e carnes processadas
  • Vacinação, como a vacina contra o HPV, que previne o câncer de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe, e a vacina contra a hepatite B, relacionada ao câncer de fígado
  • Tratamento de infecções associadas ao câncer, como a bactéria H. pylori e as hepatites virais
  • Proteção solar e atenção a lesões de pele suspeitas
  • Definição do calendário de rastreamento de acordo com idade, sexo e histórico


O rastreamento segue recomendações específicas para cada tipo de tumor. Entre os principais, estão a mamografia para o câncer de mama, o teste de HPV ou exame de Papanicolau para o câncer de colo do útero, a colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes para o câncer colorretal, a tomografia de tórax de baixa dose para fumantes e ex-fumantes com alta carga tabágica, e a discussão individualizada sobre o PSA no câncer de próstata.


Outro benefício importante, e pouco conhecido, é evitar exames sem indicação. Pedir marcadores tumorais em check-ups de rotina ou exames de imagem de corpo inteiro sem critério pode gerar resultados falsamente alterados, ansiedade e investigações desnecessárias. Organizar o rastreamento com base em evidências protege tanto contra a falta de investigação quanto contra o excesso dela.

Como é o atendimento?

A consulta de prevenção é, antes de tudo, uma conversa detalhada sobre a sua história de saúde. Por isso, vale chegar preparado com informações sobre os casos de câncer na família, incluindo o grau de parentesco, o tipo de tumor e a idade aproximada no diagnóstico, além dos exames que já realizou nos últimos anos.


O atendimento costuma seguir estas etapas:

  • Levantamento do histórico pessoal, com doenças prévias, medicamentos em uso, cirurgias e exames anteriores
  • Construção da história familiar, idealmente abrangendo pelo menos três gerações
  • Avaliação dos hábitos de vida, como alimentação, atividade física, sono, tabagismo e consumo de álcool
  • Exame físico e análise de exames já realizados
  • Estimativa do risco individual e verificação de critérios para teste genético
  • Plano personalizado de prevenção e rastreamento, com os exames indicados, a idade de início e a periodicidade de cada um


Ao final, o objetivo é que você saia da consulta sabendo exatamente quais cuidados fazem sentido para o seu perfil e por quê. Para pessoas com risco habitual, o plano costuma ser simples e pode ser mantido junto ao clínico ou ginecologista. Já quem tem risco aumentado ou predisposição genética se beneficia de um acompanhamento oncológico periódico, com reavaliação do plano sempre que surgirem novos casos na família, novos exames ou mudanças nas recomendações científicas.

Sobre o profissional

Dra. Fernanda Guasti

Oncologista | CRM-SP: 193953 | RQE: 110206



Sou a Dra. Fernanda Guasti, médica oncologista, e acredito que cuidar de uma pessoa vai além de tratar a doença. Cada paciente tem sua própria história, dúvidas, necessidades e expectativas, e é a partir dessa individualidade que conduzo o cuidado, com atenção, respeito e responsabilidade.

 

Sou formada em Medicina pela PUC Paraná, com residência em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Atualmente, sou Coordenadora do Serviço de Oncologia do Hospital Paulistano, mestranda em Ciências da Saúde pela FMABC e pós-graduanda em Nutrologia Oncológica pela ABRAN.

 

Também mantenho um olhar integral para a saúde, considerando aspectos que podem contribuir para a qualidade de vida e o bem-estar durante e após o tratamento. Meu compromisso é oferecer um cuidado sério, individualizado e humano, para que você se sinta seguro e acolhido em cada fase dessa jornada.